O ageísmo nas empresas: desafios e estratégias nos processos de recrutamento e seleção

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Data
2025Autor
Camilo, Adriana Maria Fernandino
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Este estudo analisa como as organizações brasileiras realizam seus processos de recrutamento
e seleção no sentido de combater o ageísmo e fomentar um ambiente de trabalho inclusivo. O
tema ganha relevância diante do cenário atual, em que 70,4% dos profissionais acima de 40
anos relatam sofrer discriminação etária durante processos seletivos (Infojobs, 2021). Com o
envelhecimento populacional brasileiro crescente – aumento de quase 40% na população idosa
entre 2010 e 2020 – e a expansão da População Idosa Ativa para 57,4% (IBGE, 2022), torna-se
fundamental compreender e endereçar essa questão. A metodologia adotada foi transversal e
descritiva, com abordagem mista. Os dados foram coletados por meio de questionário on-line
contendo a Escala de Ageísmo no Contexto Organizacional (EACO), além de perguntas
fechadas e abertas que visavam compreender melhor as respostas, totalizando 282 respondentes
(81,2% mulheres) com idades entre 19 e 70 anos, que atuam em Recrutamento e Seleção. A
coleta foi realizada entre março e maio de 2025, com amostragem intencional e abordagem
mista: análises quantitativas e qualitativas. Os resultados evidenciam que o ageísmo está
presente nos processos de Recrutamento e Seleção (R&S), manifestando-se por meio de
diferentes mecanismos institucionalizados. Aproximadamente 86% dos respondentes
identificam o subsistema de R&S como principal momento de manifestação do ageísmo,
confirmando a pertinência do tema da dissertação. A pesquisa destacou que, embora 98% dos
profissionais de RH pesquisados reconheçam que o etarismo está presente no processo de
recrutamento, apenas 10% das organizações possuem políticas e valores organizacionais para
protegê-los contra isso, demonstrando um claro déficit entre a compreensão do problema e a
implementação de soluções práticas. Um conflito significativo encontrado entre os profissionais
de recrutamento e seleção foi destacado pela análise cruzada dos dados: por um lado, eles detêm
conhecimento técnico sobre a importância de lidar com o tema da diversidade e os riscos de
preconceito; por outro lado, eles experimentam pressão para se conformar às demandas dos
gestores e a uma cultura de valorização organizacional da juventude, resultando muitas vezes
em uma cumplicidade passiva com práticas discriminatórias. De acordo com tais evidências,
verificou-se que um quadro conceitual de recrutamento e de seleção inclusivos poderia ser
construído, tomando forma em um fluxo para desenvolver a inclusão no processo, o que
transmite a mensagem de que as empresas podem transformar um funil de recrutamento que
parece ser exclusivo em um veículo para a inserção e a valorização da diversidade geracional.
Esse modelo evidencia que o combate eficaz ao ageísmo no recrutamento exige mais do que
ações isoladas; demanda uma revisão sistêmica e contínua do processo. Esta dissertação
contribui tanto para o desenvolvimento teórico do ageísmo no ambiente organizacional quanto
para a proposição de soluções viáveis que possibilitam traduzir intenções declaradas de não
discriminação em comportamentos tangíveis e observáveis, necessários para garantir equidade
e inclusão no mercado de trabalho em um cenário de tendências de envelhecimento
populacional. This study analyzes how Brazilian organizations conduct their recruitment and selection
processes to combat ageism and foster an inclusive work environment. The topic gains
relevance given the current scenario, where 70.4% of professionals over 40 report experiencing
age discrimination during selection processes (Infojobs, 2021). With the growing Brazilian
population aging – an increase of almost 40% in the elderly population between 2010 and 2020
– and the expansion of the Active Elderly Population to 57.4% (IBGE, 2022), it becomes
essential to understand and address this issue. The adopted methodology was cross-sectional
and descriptive, with a mixed approach. Data were collected through an online questionnaire
containing the Ageism in Organizational Context Scale (EACO), as well as closed and open
questions aimed at better understanding the responses, totaling 282 respondents (81.2%
women) aged between 19 and 70, who work in Recruitment and Selection. Data collection was
carried out between March and May 2025, with intentional sampling and a mixed approach:
quantitative and qualitative analyses. The results show that ageism is present in Recruitment
and Selection (R&S) processes, manifesting through different institutionalized mechanisms.
Approximately 86% of respondents identify the R&S subsystem as the main moment of ageism
manifestation, confirming the relevance of the dissertation's theme. The research highlighted
that, although 98% of the surveyed HR professionals recognize that ageism is present in the
recruitment process, only 10% of organizations have policies and organizational values to
protect against it, demonstrating a clear deficit between understanding the problem and
implementing practical solutions. A significant conflict found among recruitment and selection
professionals was highlighted by the cross-analysis of the data: on the one hand, they possess
technical knowledge about the importance of dealing with the theme of diversity and the risks
of prejudice; on the other hand, they experience pressure to conform to managers' demands and
a culture of organizational valuing of youth, often resulting in passive complicity with
discriminatory practices. According to such evidence, it was found that a conceptual framework
for inclusive recruitment and selection could be built, taking shape in a flow to develop
inclusion in the process, which conveys the message that companies can transform a recruitment
funnel that seems to be exclusive into a vehicle for the insertion and valuing of generational
diversity. This model shows that effective combat against ageism in recruitment requires more
than isolated actions; it demands a systemic and continuous review of the process. This
dissertation contributes both to the theoretical development of ageism in the organizational
environment and to the proposition of viable solutions that make it possible to translate declared
intentions of non-discrimination into tangible and observable behaviors, necessary to ensure
equity and inclusion in the labor market in a scenario of population aging trends
